quarta-feira, 15 de setembro de 2010

De repente, assim

Um dia te encontrei sorrindo
No meio desse indo e vindo
Resolvemos conversar

Entre beijos e abraços cortados
Corpos entrelaçados
Alegrias a brotar

Depois da casualidade
Sentei no banco da praça
Sempre a te esperar

Lavaram muitos orvalhos
Flores de todos os galhos
Queria você pra cá

Um dia me dei por vencida
Do banco da praça eu saía
E você não estava lá

No meu quintal despedaçado
Depois de um outono arretado
Te vi a balançar

Foram muitos beijos molhados
Abraçados bem apertados
Carícias ficamos a dar

Saudade da casualidade
Que se tornou realidade
Noz fazendo apaixonar

De mãos dadas ao acaso
A rotina se fez ao descaso
Ficamos nos a bailar

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Onde vivem os monstros

Um dia Dona Moça deu tchau e saiu na porta
A chave dela ficou lá em casa
Eu fiquei triste
Fui pro meu quarto
Joguei a bola na parede,
Como eu sempre fazia quando estava triste
Dona Moça sabia

Ai entrou Seu Moçono quarto
Ele era engraçado
Era cinza e andava em cima de rodas
Tinha a voz esquisita rouca

Ai eu fui pra escola
E o menino do meu lado
Brincava com um negócio que eu não sabia o que era
Era eletrônico
Tinha a mesma voz do Seu Moço

Lembrei da Dona Moça

Dona Moça conzinhava como ninguém
Seu Moço também
Ela deixava algumas coisas queimarem,
Só porque eu gostava
Seu Moço não

Ele era Perfeito

Ai eu fui dormir
Só que eu não consegui
E eu sempre chamava Dona Moça

Fui chamar Seu Moço
Ele foi
Perguntei se ele podia ficar lá no quarto
Ele respondeu - Sim, claro
Ele respondia muito isso
Não era muito de conversa
Ele ficou de pé parado
E dormiu

Ele era mesmo esquisito

Ai eu dormi também
E sonhei com Dona Moça
Que deitava do meu lado quando eu não dormia
Me contava estórias
Me chamava de príncipe

Dona Moça respirava.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quadro

O clímax era aquela hora laranja escura que não atingia ninguém
Depois de fervido o asfalto esfria

O ar não passa nada desviciado de almas, limpo, puro, não vivencia ninguém.
Eu olho esquia as dominâncias de outros,
Um minuto parado, silêncio, outro minuto, som
Na janela começam os vícios no ar, luzes.
O laranja, azul, o frio é calor.
Acabado.
O momento clímax declina.
A trama continua calma.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Carta ao amigo

Quem é você que me tirou a paz conhecida?
Você não tem nome, não tem rosto, não tem alma.
O que te fiz eu para agora incomodar me com suas palavras?
Comeria suas entranhas vivas com um guloso apetite, meu prato principal.
Sem as suas entranhas talvez você entedesse o que você fez comigo.
Eu queimava seu único vestígio, o fogo ululante engolia seus restos.
De súbito, meus pés formigavaram e passaram a cinzas. As chamas cresciam, passaram aos joelhos e os ossos, cinzas.
O fogo chegou as coxas, engoliu o umbigo, queimou os pelos dos braços.
As minhas cinzas misturadas com as suas, pesadelo repugnante.

As chamas excluíram meus olhos de sua destruição e eles piscavam por quatro paredes que não me acolhiam mais.
Um movimento das pálbebras e a louca na janela que grita no telefone - Branco
Outro e a louca que não anda sozinha de elevador - Branco
Mais um e o simpático de baixo que é surdo - Branco

Apertei os olhos com força achando ser um sonho ruim.
Pior ao abrir me deparei com a carne, a minha carne, sem nossas cinzas.
Acordei no pesadelo dessa vida.

Eu te perdoo por ter me tirado a acomodação, mas não eu não te agradeço por ter me tirado a paz.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pobreza Viva

Há muito tempo não lavava a roupa
A calça escura dos resíduos depositados
Pé escuro, Pé grosso, Perambulações


Rosto queimado do sol
Boca rachada do frio
Olhos frios de quem não sente


Grande sacola nas costas, esperança pesada


Não conhece direitos
Não conhece lar


Escraviza latas mal acabadas, sinônimo de conforto
Conforto no resto dos outros, miséria sem orgulhos

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Labaredas ao esgoto

Desbravados bueiros que gospem os dejetos das frustrações. Seus canos esquartejam os sólidos movimentos das sensações, líquidos eles fluem.
Desprezíveis roedores alegram-se brincando com os medos guardados no buraco.
No asfalto duro o líquido se espalha ganha vida.
O concreto acostumado a dureza de seus materiais receptiva o líquido. E ele fluído como propriedade de sua matéria aninha-se na terra, divide-se no mundo.

O céu azul e limpo ou cinza e carregado ou branco e claro, é o único não viciado.
Os seres apáticos olham retilineamente suas frustrações. À aqueles que de tanto esperançarem aos céus tem seus músculos enrijecidos dos movimentos repetidos.

Eu aconteço calada diante dos vômitos dos bueiros, olho pra cima, olho pra baixo. Diante das frustrações eu olho,
Eu ando,
Eu caminho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Chico por mim, mim por Chico

Desculpe a liberdade, no tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.
Vou voltar sei que ainda vou voltar para o meu lugar foi lá e é ainda lá. Não sabe mais talvez espere alguma coisa mais linda que o mundo,
Maior do que o mar.
Vem muleque me dizer onde é que está.
Nublai minhha visão.
Lá fora uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu.
E ai me dá uma inveja dessa gente que segue em frente sem nem ter com quem contar.
Meus olhos molhados, exijo respeito não sou mais um sonhador.
E agora eu era um louco a perguntar o que que a vida vai fazer de mim.