quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Onde vivem os monstros

Um dia Dona Moça deu tchau e saiu na porta
A chave dela ficou lá em casa
Eu fiquei triste
Fui pro meu quarto
Joguei a bola na parede,
Como eu sempre fazia quando estava triste
Dona Moça sabia

Ai entrou Seu Moçono quarto
Ele era engraçado
Era cinza e andava em cima de rodas
Tinha a voz esquisita rouca

Ai eu fui pra escola
E o menino do meu lado
Brincava com um negócio que eu não sabia o que era
Era eletrônico
Tinha a mesma voz do Seu Moço

Lembrei da Dona Moça

Dona Moça conzinhava como ninguém
Seu Moço também
Ela deixava algumas coisas queimarem,
Só porque eu gostava
Seu Moço não

Ele era Perfeito

Ai eu fui dormir
Só que eu não consegui
E eu sempre chamava Dona Moça

Fui chamar Seu Moço
Ele foi
Perguntei se ele podia ficar lá no quarto
Ele respondeu - Sim, claro
Ele respondia muito isso
Não era muito de conversa
Ele ficou de pé parado
E dormiu

Ele era mesmo esquisito

Ai eu dormi também
E sonhei com Dona Moça
Que deitava do meu lado quando eu não dormia
Me contava estórias
Me chamava de príncipe

Dona Moça respirava.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quadro

O clímax era aquela hora laranja escura que não atingia ninguém
Depois de fervido o asfalto esfria

O ar não passa nada desviciado de almas, limpo, puro, não vivencia ninguém.
Eu olho esquia as dominâncias de outros,
Um minuto parado, silêncio, outro minuto, som
Na janela começam os vícios no ar, luzes.
O laranja, azul, o frio é calor.
Acabado.
O momento clímax declina.
A trama continua calma.