quarta-feira, 7 de julho de 2010

Carta ao amigo

Quem é você que me tirou a paz conhecida?
Você não tem nome, não tem rosto, não tem alma.
O que te fiz eu para agora incomodar me com suas palavras?
Comeria suas entranhas vivas com um guloso apetite, meu prato principal.
Sem as suas entranhas talvez você entedesse o que você fez comigo.
Eu queimava seu único vestígio, o fogo ululante engolia seus restos.
De súbito, meus pés formigavaram e passaram a cinzas. As chamas cresciam, passaram aos joelhos e os ossos, cinzas.
O fogo chegou as coxas, engoliu o umbigo, queimou os pelos dos braços.
As minhas cinzas misturadas com as suas, pesadelo repugnante.

As chamas excluíram meus olhos de sua destruição e eles piscavam por quatro paredes que não me acolhiam mais.
Um movimento das pálbebras e a louca na janela que grita no telefone - Branco
Outro e a louca que não anda sozinha de elevador - Branco
Mais um e o simpático de baixo que é surdo - Branco

Apertei os olhos com força achando ser um sonho ruim.
Pior ao abrir me deparei com a carne, a minha carne, sem nossas cinzas.
Acordei no pesadelo dessa vida.

Eu te perdoo por ter me tirado a acomodação, mas não eu não te agradeço por ter me tirado a paz.

Um comentário:

  1. Caraca carol, adorei!Me identifiquei mto com esse texto!Principalmente o final!

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