domingo, 7 de março de 2010

Surpresa de domingo

Prestes a começar uma semana, depois da habitual hora entre as rodas, ele apareceu. Não chegou nada habitual dizendo saudações comuns. Me saudou com um Búh!
E depois de tal saudação assustadora, sumiu.
Aquele menino, sujo que sobrevive as situações da vida, ficou em meu pensamento.
Lógico fiquei com um medo danado dele. Passava pelo lugar de nosso encontro com um receio de encontrá-lo, mas com uma incrível vontade de vê-lo.
Foi como se fosse minha responsabilidade limpá-lo, alimentá-lo, educá-lo.
Passados 1, 2, 3 dias a sensação era a mesma e a vontade aumentava. Essa utopia que aquela criança me aceitaria e eu teria condições de mantê-la, permaneceu.
Foi tomada de susto que gastando meu salário dia desses, me deparei com ele. Mais assustada fiquei quando ele entrou no recinto onde estava. Enchi-me de uma pontada de esperança.
Ao cruzarmos olhares queria que ele me reconhecesse, mas não aconteceu. Me apavorei, ele já estava tomado pelas ruas, quem dera eu mudá-lo, era um selvagem, não me aceitaria.
Por incrível, depois desse ocorrido, a sensação perdurou e foi se esvaindo aos poucos.
Nunca voltei a vê-lo, por vezes penso nele.

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