domingo, 11 de abril de 2010

Moinho mundo

Ninguém me ensinou a ver meus heróis nus.
Foi então que diante da mais natural das coisas, aquilo que estamos fadados desde o primeiro movimento do diafragma, vi esse retrato cinza.
Estavam eles sim todos nus. Cada um diante de sua fraqueza. Fui obrigada a ver isso, sem pestanejar.
Onde estavam seus objetos de defesa?
Senti um peso em minha mão. Ao abaixar o queixo, uma espada e continuando com o movimento rápido dos olhos fui testemunhando capas, escudos, objetos de defesa de meus heróis. comigo.
Queria eu estar nua também.
Senti raiva de mim, não pensei mais em por quês. Agarrei com uma força descomum aquelas tralhas cheias de significado.
Quando meus heróis voltassem a se vestir, estaria eu lá distribuindo a cada um suas respectivas vestimentas.
Me descobriria então nua, eu desprotegida, envolvida de heróis que me protegeríam.

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