Resolvi conversar com a lua, assim no duro mesmo, sem metáforas. Conversar com a lua, aquele negócio branco no céu.
Conversei e ela aporrinha pra caramba, não que seja chata nada disso, mas tem um quê que de vez enquando irrita.
Ela respondeu parte das minhas perguntas e as outras ela simplesmente ignorou. Sempre ignoro certas perguntas, mas isso chateia mesmo.
A lua não é nada romântica, parecia que disso eu já sabia, mas tive mesmo que travar um diálogo com ela para confirmar.
Os bobalhões ficam olhando pra ela achando a coisa mais romântica do mundo, não romantismo está no estado de espírito. Ela me disse isso também e acreditei mesmo.
De verdade se você estiver dentro de um trem lotado mas com o estado de espírito romântico, ainda sim vai ser romântico, com ou sem o negócio branco.
Minha linguagem esquisita é pura e simplesmente a aproximação a Houlden Caulfield, ele está me ensinando essas palavras estranhas ao meu vocabulário normal. Mas é legal pra caramba falar assim, no duro mesmo.
Enfim, minha conversa com a lua terminou meio assim eu de saco cheio dela e acho que ela de mim. E ela continuou lá com aquele ar superior de meio que metido a besta.
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