segunda-feira, 22 de março de 2010

Ex-903

O disco compacto é o único que ainda guarda qualquer tipo de sensação. Me obriguei a gostar dele, de suas letras e melodias.
A porta ficou trancada para tentar guardar o que tínhamos passado por ali. As marcas ainda vivas, os cheiros mortos. A memória arranha, falha, prega peças para destruir nossos momentos.
Seguir pelo mesmo caminho e sentir vibrar com o +732 que vinha sempre com uma piada e voltar por esse caminho e rir junto, da mesma piada.
Agora uma nova incerteza, a porta não ficará mais fechada em respeito a perda. Não conservará ali as memórias. Outras cores virão, o novo, o novo, o novo. A foto já estámanchada também como afirmação da piada da memória, na tentativa ridícula de tentar reavivar as lembranças.
A casa expira nós, o que éramos. O que construímos juntas, o que conhecemos e desconhecemos.
As lembranças são nossas não cabem outras lembranças que também me incluam. Preciso de tempo pra mim.
Espero respirar o lar agora sem nós e agora também com uma leitura diferente de Nós.
Nós, eu e ela, eu e aquela, eu e aquela outra. Eu e ela, as primeiras que ficarão, a marca.
o disco compacto cada vez mais alto, mais agressivo.

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