Resolvi conversar com a lua, assim no duro mesmo, sem metáforas. Conversar com a lua, aquele negócio branco no céu.
Conversei e ela aporrinha pra caramba, não que seja chata nada disso, mas tem um quê que de vez enquando irrita.
Ela respondeu parte das minhas perguntas e as outras ela simplesmente ignorou. Sempre ignoro certas perguntas, mas isso chateia mesmo.
A lua não é nada romântica, parecia que disso eu já sabia, mas tive mesmo que travar um diálogo com ela para confirmar.
Os bobalhões ficam olhando pra ela achando a coisa mais romântica do mundo, não romantismo está no estado de espírito. Ela me disse isso também e acreditei mesmo.
De verdade se você estiver dentro de um trem lotado mas com o estado de espírito romântico, ainda sim vai ser romântico, com ou sem o negócio branco.
Minha linguagem esquisita é pura e simplesmente a aproximação a Houlden Caulfield, ele está me ensinando essas palavras estranhas ao meu vocabulário normal. Mas é legal pra caramba falar assim, no duro mesmo.
Enfim, minha conversa com a lua terminou meio assim eu de saco cheio dela e acho que ela de mim. E ela continuou lá com aquele ar superior de meio que metido a besta.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Moinho mundo
Ninguém me ensinou a ver meus heróis nus.
Foi então que diante da mais natural das coisas, aquilo que estamos fadados desde o primeiro movimento do diafragma, vi esse retrato cinza.
Estavam eles sim todos nus. Cada um diante de sua fraqueza. Fui obrigada a ver isso, sem pestanejar.
Onde estavam seus objetos de defesa?
Senti um peso em minha mão. Ao abaixar o queixo, uma espada e continuando com o movimento rápido dos olhos fui testemunhando capas, escudos, objetos de defesa de meus heróis. comigo.
Queria eu estar nua também.
Senti raiva de mim, não pensei mais em por quês. Agarrei com uma força descomum aquelas tralhas cheias de significado.
Quando meus heróis voltassem a se vestir, estaria eu lá distribuindo a cada um suas respectivas vestimentas.
Me descobriria então nua, eu desprotegida, envolvida de heróis que me protegeríam.
Foi então que diante da mais natural das coisas, aquilo que estamos fadados desde o primeiro movimento do diafragma, vi esse retrato cinza.
Estavam eles sim todos nus. Cada um diante de sua fraqueza. Fui obrigada a ver isso, sem pestanejar.
Onde estavam seus objetos de defesa?
Senti um peso em minha mão. Ao abaixar o queixo, uma espada e continuando com o movimento rápido dos olhos fui testemunhando capas, escudos, objetos de defesa de meus heróis. comigo.
Queria eu estar nua também.
Senti raiva de mim, não pensei mais em por quês. Agarrei com uma força descomum aquelas tralhas cheias de significado.
Quando meus heróis voltassem a se vestir, estaria eu lá distribuindo a cada um suas respectivas vestimentas.
Me descobriria então nua, eu desprotegida, envolvida de heróis que me protegeríam.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Cidade Maravilhosa do Caos
O que acontece quando chove excessivamente na Cidade Maravilhosa? Caos total.
Descaso com o lixo? Entupimento de boeiros? Adoção de estratégias urbanísticas equivocadas?
As águas de março vieram trazendo esse pesadelo à tona, e essas perguntas matutam em leigos e estudiosos.
É essa a Cidade Maravilhosa, do Caos.
Ufa, um desabafo de horas no trânsito, de caminhadas com água no joelho, de chegada depois de horas em casa. E a pergunta que ouvi por todos os cantos foi: Como será em 2016 assim? Sério, por todos os cantos ouvi essa pergunta. Bizarro!
Descaso com o lixo? Entupimento de boeiros? Adoção de estratégias urbanísticas equivocadas?
As águas de março vieram trazendo esse pesadelo à tona, e essas perguntas matutam em leigos e estudiosos.
É essa a Cidade Maravilhosa, do Caos.
Ufa, um desabafo de horas no trânsito, de caminhadas com água no joelho, de chegada depois de horas em casa. E a pergunta que ouvi por todos os cantos foi: Como será em 2016 assim? Sério, por todos os cantos ouvi essa pergunta. Bizarro!
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Mudança de planos
Não vai ter chocolate, não vai ter ovo.
Não vai ter pasta d'água no chão, não vai ter charada, não vai ter surpresa.
Não vai ter cavalo, nem cavalgada.
Não vai ter história de escravos, não vai ter senzala.
Não vai ter fazenda física, ou fazenda falada.
Não vai ter doce de leite, não vai ter polenta, não vai ter goiabada.
Não vai ter sol, nem pele bronzeada.
Não vai ter fome, não vai ter sono.
Não vai ter sorriso, não vai ter barulho.
Domingo vai ser domingo, com cara de domingo nada mais que domingo.Há domingos não tenho um domingo com características de domingo. O dia do tédio, o dia de despedida.
Não vai ter pasta d'água no chão, não vai ter charada, não vai ter surpresa.
Não vai ter cavalo, nem cavalgada.
Não vai ter história de escravos, não vai ter senzala.
Não vai ter fazenda física, ou fazenda falada.
Não vai ter doce de leite, não vai ter polenta, não vai ter goiabada.
Não vai ter sol, nem pele bronzeada.
Não vai ter fome, não vai ter sono.
Não vai ter sorriso, não vai ter barulho.
Domingo vai ser domingo, com cara de domingo nada mais que domingo.Há domingos não tenho um domingo com características de domingo. O dia do tédio, o dia de despedida.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Ex-903
O disco compacto é o único que ainda guarda qualquer tipo de sensação. Me obriguei a gostar dele, de suas letras e melodias.
A porta ficou trancada para tentar guardar o que tínhamos passado por ali. As marcas ainda vivas, os cheiros mortos. A memória arranha, falha, prega peças para destruir nossos momentos.
Seguir pelo mesmo caminho e sentir vibrar com o +732 que vinha sempre com uma piada e voltar por esse caminho e rir junto, da mesma piada.
Agora uma nova incerteza, a porta não ficará mais fechada em respeito a perda. Não conservará ali as memórias. Outras cores virão, o novo, o novo, o novo. A foto já estámanchada também como afirmação da piada da memória, na tentativa ridícula de tentar reavivar as lembranças.
A casa expira nós, o que éramos. O que construímos juntas, o que conhecemos e desconhecemos.
As lembranças são nossas não cabem outras lembranças que também me incluam. Preciso de tempo pra mim.
Espero respirar o lar agora sem nós e agora também com uma leitura diferente de Nós.
Nós, eu e ela, eu e aquela, eu e aquela outra. Eu e ela, as primeiras que ficarão, a marca.
o disco compacto cada vez mais alto, mais agressivo.
A porta ficou trancada para tentar guardar o que tínhamos passado por ali. As marcas ainda vivas, os cheiros mortos. A memória arranha, falha, prega peças para destruir nossos momentos.
Seguir pelo mesmo caminho e sentir vibrar com o +732 que vinha sempre com uma piada e voltar por esse caminho e rir junto, da mesma piada.
Agora uma nova incerteza, a porta não ficará mais fechada em respeito a perda. Não conservará ali as memórias. Outras cores virão, o novo, o novo, o novo. A foto já estámanchada também como afirmação da piada da memória, na tentativa ridícula de tentar reavivar as lembranças.
A casa expira nós, o que éramos. O que construímos juntas, o que conhecemos e desconhecemos.
As lembranças são nossas não cabem outras lembranças que também me incluam. Preciso de tempo pra mim.
Espero respirar o lar agora sem nós e agora também com uma leitura diferente de Nós.
Nós, eu e ela, eu e aquela, eu e aquela outra. Eu e ela, as primeiras que ficarão, a marca.
o disco compacto cada vez mais alto, mais agressivo.
terça-feira, 16 de março de 2010
Os dias
Essa postagem é mais uma junção de pensamentos diários e rotineiros e uma súbita vontade de usar anacronismo em uma frase, por simplesmente ter aprendido o significado. Sinto-me ridícula, por tal, e sou.
Voltou a sensação do maldoso setembro, insano abril chegue para resucitar o morto.
São dois passos da porta para a cama, e dois da cama para a janela, proporção ridícula que estou viciada. 'Como um doente acostumado as condições espaciais de seu mal', frase achada e insanamente cabível.
Vivo nesse anacronismo ridículo, vivendo em uma época que não me agrada. Vou tentar mudar essa época, sei que vou. Fui achar a coragem.
Voltou a sensação do maldoso setembro, insano abril chegue para resucitar o morto.
São dois passos da porta para a cama, e dois da cama para a janela, proporção ridícula que estou viciada. 'Como um doente acostumado as condições espaciais de seu mal', frase achada e insanamente cabível.
Vivo nesse anacronismo ridículo, vivendo em uma época que não me agrada. Vou tentar mudar essa época, sei que vou. Fui achar a coragem.
domingo, 14 de março de 2010
Lar

Era no começo azul, vermelho e branco. Logo depois veio o verde e amarelo.
E antes que eu pudesse respirar ,o branco.
Foi como tirar uma mochila que eu carregava. Dentro tinha tudo aquilo que eu precisava, que estava acostumada.
E esqueci nos trajetos, esqueci em quatro rodas o que carregava.
Cheguei ao destino sem bagagens, nua, de mãos livres.
No começo foi uma total mistura de emoções, euforia, medo, saudade, excitação. E eu só queria utilizar o que tinha na mochila.
Depois acostumar, as mãos não estão mais vazias, já carregam alguma coisa.
Mas a nostalgia dos dias chuvosos só faz querer rever aquela mochila. Dar uma pequena espiada no seu conteúdo, carregá-la por algumas horas. Algumas das coisas contidas nela, agora podres, outras tão intactas que não se vê o tempo que passou.
As mãos cedem ao peso de bolsas que substituiram a mochila, que parece pluma. Invertidos pápeis.
O colorido em cima de quatro rodas, sinônimo de lar.
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