domingo, 23 de maio de 2010

De mim mais nada

Morri no meio do dia.
Morrer foi como um alívio aos infortunos da vida.

A primeira vez que morri, foi a paz interna mais desejada, morrer foi bom. Morrer trouxe a alma limpa.

A segunda morte eu sabia seria diferente, trouxe pesadelos e medos. Mesmo assim gosto um tanto da morte.

Eu queria era gritar contra esse hermetismo dos terceiros. Não falar mais nada, nunca mais produzir som que afetasse alguém, ou palavras. De mim veriam a carne e o osso e só.
De mim só ouviriam o grito e depois morreria pra todos. Ao contrário da morte usual, meu corpo estaria aqui, minha alma estaria lá.
De mim não esperariam nada, de mim não arrancariam nada, de mim esqueceriam.
De mim só a observação.

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