segunda-feira, 21 de junho de 2010

Labaredas ao esgoto

Desbravados bueiros que gospem os dejetos das frustrações. Seus canos esquartejam os sólidos movimentos das sensações, líquidos eles fluem.
Desprezíveis roedores alegram-se brincando com os medos guardados no buraco.
No asfalto duro o líquido se espalha ganha vida.
O concreto acostumado a dureza de seus materiais receptiva o líquido. E ele fluído como propriedade de sua matéria aninha-se na terra, divide-se no mundo.

O céu azul e limpo ou cinza e carregado ou branco e claro, é o único não viciado.
Os seres apáticos olham retilineamente suas frustrações. À aqueles que de tanto esperançarem aos céus tem seus músculos enrijecidos dos movimentos repetidos.

Eu aconteço calada diante dos vômitos dos bueiros, olho pra cima, olho pra baixo. Diante das frustrações eu olho,
Eu ando,
Eu caminho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Chico por mim, mim por Chico

Desculpe a liberdade, no tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.
Vou voltar sei que ainda vou voltar para o meu lugar foi lá e é ainda lá. Não sabe mais talvez espere alguma coisa mais linda que o mundo,
Maior do que o mar.
Vem muleque me dizer onde é que está.
Nublai minhha visão.
Lá fora uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu.
E ai me dá uma inveja dessa gente que segue em frente sem nem ter com quem contar.
Meus olhos molhados, exijo respeito não sou mais um sonhador.
E agora eu era um louco a perguntar o que que a vida vai fazer de mim.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mister Cellophane

Bem aventurados os que verão os pulsos cortados, o rosto vermelho de raiva.
Quando a repressão sentimental acabar.
Os que verão os dedos levantados, as palavras chatas ditas repetidamente.
Aqueles que verão os olhos selvagens.
Os que ouvirão os gritos angustiantes.
Os que secarão as lágrimas quentes.
Os que segurarão o corpo frágil, arredio.


Convidem-me para tal espetáculo, prazeroso de ser assistido.

domingo, 23 de maio de 2010

De mim mais nada

Morri no meio do dia.
Morrer foi como um alívio aos infortunos da vida.

A primeira vez que morri, foi a paz interna mais desejada, morrer foi bom. Morrer trouxe a alma limpa.

A segunda morte eu sabia seria diferente, trouxe pesadelos e medos. Mesmo assim gosto um tanto da morte.

Eu queria era gritar contra esse hermetismo dos terceiros. Não falar mais nada, nunca mais produzir som que afetasse alguém, ou palavras. De mim veriam a carne e o osso e só.
De mim só ouviriam o grito e depois morreria pra todos. Ao contrário da morte usual, meu corpo estaria aqui, minha alma estaria lá.
De mim não esperariam nada, de mim não arrancariam nada, de mim esqueceriam.
De mim só a observação.

domingo, 16 de maio de 2010

Paulinha

Conheci Paulinha meio que por acaso. Estava como de costume tirando um cochilo, consequente do sacolejo do ônibus, quando fui despertada por cadernos e mochilas. Era a mãe de Paulinha, e logo depois em seu colo, ela mesma, Paulinha.
Estava eu entretida com minhas músicas, mas essa mania de prestar atenção a conversa alheia fez com que eu conhecesse a história dessa família.
A menina não era bonita não, mas era extremamente educada e todas as palavra que trocou comigo eram palavras que estavam no código de civilização humana.
A mãe de Paulinha resolveu entrar em uma conversa pesada pra caramba com a menina. Claro, acompanhei tudo. Foi interessante. Paulinha se mostrou tão ou mais esperta para sua idade.
Pesquei as duas conversando, vi ternura na relação materna. Em dado momento a mãe revelou algo, que surpreendeu a menina.
As duas choraram. A menina pediu desculpas por ter acusado a mãe. E chorou.
E rezou.
Elas desceram depois de uma troca de belas saudações comigo.
Meus olhos estavam marejados.

domingo, 2 de maio de 2010

Ainda hoje

Fui com uma perspectiva diferente, uma nova visão facetada depois de duas frases. Gosto dos meios de comunicação que impedem o contato direto com os opositores, poder esconder as contorções do rosto e o olhar.
As vezes um baque desses fica matutando na cabeça. E ai coisas muito simples, muito simples, tornam-se estrondorosas.
Uma conversa de outra época,um adjetivo, um obrigada (tenho uma relação estranha com esse último, assunto de outrora), e depois o baque de novo.
Antes no começo do dia, paz. A paz do cemitério, um dos lugares em que a sinto puramente, e voltar de lá e paz.
Depois um pouco menos de saudade, presenciar a amizade, e simplesmente jogar conversa fora, e chorar de rir.
E pouco antes de acabar o dia, em paz, rindo, o baque. O negócio é que o príncipios das pessoas são diferentes e ai quando ferem os meus fico triste pra caramba. Coisa que eu não faria em situação parecida, que já não fiz tendo oportunidade.
O fato posto nessas palavras ficou piegas e erradamente dramatizado, foi uma simples quebra de contrato.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dona Lua

Resolvi conversar com a lua, assim no duro mesmo, sem metáforas. Conversar com a lua, aquele negócio branco no céu.
Conversei e ela aporrinha pra caramba, não que seja chata nada disso, mas tem um quê que de vez enquando irrita.
Ela respondeu parte das minhas perguntas e as outras ela simplesmente ignorou. Sempre ignoro certas perguntas, mas isso chateia mesmo.
A lua não é nada romântica, parecia que disso eu já sabia, mas tive mesmo que travar um diálogo com ela para confirmar.
Os bobalhões ficam olhando pra ela achando a coisa mais romântica do mundo, não romantismo está no estado de espírito. Ela me disse isso também e acreditei mesmo.
De verdade se você estiver dentro de um trem lotado mas com o estado de espírito romântico, ainda sim vai ser romântico, com ou sem o negócio branco.
Minha linguagem esquisita é pura e simplesmente a aproximação a Houlden Caulfield, ele está me ensinando essas palavras estranhas ao meu vocabulário normal. Mas é legal pra caramba falar assim, no duro mesmo.
Enfim, minha conversa com a lua terminou meio assim eu de saco cheio dela e acho que ela de mim. E ela continuou lá com aquele ar superior de meio que metido a besta.